Uma série de conclusões absolutamente inóspitas tem feito parte de mim. Abaixo também em absoluto os julgamentos morais sobre a traição. Não há como julgar tal fato se não for considerado cada caso como único. E por mais que ainda me mantenha contra a traição, preciso de alguns tópicos para então chegar ao ponto que pretende este post.
Não vim aqui defender ninguém, mas do lado do “amante” vale dizer que acho patético que ele seja responsabilizado. A menos que o amante seja o melhor amigo da pessoa, o que ele/ela possuem de vagabundo ou outros termos como recentemente vi numa novela? Não. O único responsável é o traidor que permite e vai. E somente a ele cabe a culpa e delírios do seu ato.
É exatamente para falar de quem trai que esse texto ganha forma, e ponto.
A parte os legítimos cafajestes, os mulherengos, garanhões e outros termos comumente usados para aqueles que já nascem com a predileção. Quero falar de quem trai mesmo amando o outro, de quem se culpa pela traição, e de quem enfim, não sabe por que trai. Muito se fala do amante, mas alguém já parou para pensar na difícil situação do traidor?
Não falo apenas de mentiras. Mas se essa pessoa, tão boa e sincera começou a trair, porque o fez? Vou contar apenas uma história. E nessa peça de ficção vai um pouco da minha visão.
André ama piamente Joana. Mas o que acontece com o amor pós algum tempo? Depois de mais de um ano de namoro, André ajuda Joana, não sabe como viver sem ela e também se sente o pai do Joana, o tio de Joana. Não, ele não é mulherengo, há tempos se culpa por não conseguir tanto, mas conheceu outra garota, se encantou com ela. Ainda não fez nada porque entrou em crise, como ele está pensando em trair? Como pode ousar a isso?
A crise é sentida, mas ele não consegue agir. Depois de muito protelar, ele conhece a outra, Amanda. Toma chá, ouve música, visita museus. Com Amanda revive um mundo de independência que desconhecia. Descobre que adora falar de outros assuntos. Se sente limitado com Joana. Apaixona-se por Amanda mesmo que não confesse nem pra si numa história quase literária por um mês.
Mas os amantes são engraçados. Fogem sem perceber nada. Não querem problemas. Logo Amanda conhece outro rapaz, não fecha a porta, mas diz que precisa se manter afastada. Afinal, ela é a amante, ela dá as cartas. A crise de André piora, a indiferença é pior que o não. Quando conseguem falar André decide que é melhor pra ele se afastar.
Dizem que amantes são encostos. Mas o que aconteceu com André? Ele sentiu-se vivo num relacionamento morno. Jogaria tudo para o alto para ficar com Amanda, mas Amanda insistiu em tratá-lo como o traidor, que nunca faria nada para ficar com ela. Pelo simples fato de que amantes às vezes não dão a possibilidade do outro prosseguir.
Não digo que amantes são melhores e não sofrem. Mas o que aconteceu com André? Se apegou ainda mais a Joanna e continua na crise do relacionamento que não consegue acabar mesmo sabendo não ser o melhor. E tudo por quê? Porque amantes e Amandas preferem não perceber que está tudo nas mãos deles, que às vezes eles surgem para mudar tudo. Pode até não dar certo essa história, mas porque eles insistem em fechar os olhos? A justificativa comum é que eles não querem que o outro simplesmente o troque por uma paixão. Alguns se estapeiam, outros têm medo. É o caso de Amanda, que fechou os olhos. E não percebeu outra coisa.
André continua na mesma, ainda mais ferido, sem forças e com a auto estima ainda mais baixa. Nem sempre enfim o lado do traidor é o melhor. E ponto.
Mas qual é a outra coisa implícita nesse texto todo? É que André ia terminar o namoro com ou sem Amanda. O fato é que quando Amanda apareceu tudo mudou, e André já não tinha mais forças pra curar sua dor, e foi curá-la na antiga paixão dessa forma sem querer usando o outro para não se sentir ainda mais carente. O amante, ele pode sim, prolongar a relação do outro porque fica no pensamento incompetente de que nada pode quando tudo pode.
Mas essa, é claro, é só uma ficção particular. E cada caso, por maior que seja o jargão, é um caso.
Um comentário:
E Amando é que se movimenta? Porque os discursos indiretos (digo discursos no sentido amplo) são mais fáceis? E isto os torna menos válidos? Um discurso indireto está em quem emite ou em quem recebe? Quem o torna indireto, quem não quer dizer ou quem não quer entender? E, por último e mais importante, porquê estou questionando todas estas coisas aqui e porquê você me responderia?
Sou uma tentativa de jornalista, também.
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